Fé e tradição: Conheça a história da padroeira de Guarabira

Nesta terça-feira, 2 de fevereiro, feriado municipal, comemora-se o dia de Nossa Senhora da Luz, padroeira da cidade de Guarabira.  A história conta que em meados do ano de 1756, um senhor por nome de José Rodrigues da Costa, natural de Beiriz, pequeno povoado do Conselho de Póvoa de Varzim, distrito do Porto, na região norte de Portugal, decide deixar sua terra natal e morar no Brasil.

Tal mudança deveu-se ao fato do tormento vivido por seus familiares em 1755, cujos registros históricos mostram um grande terramoto registrado naquele ano, que inclusive resultou na destruição quase completa da cidade de Lisboa, capital do País.

A família do Sr. José Rodrigues, hoje conhecido pelos Guarabirenses por “Costa Beiriz” devido sua origem, se compunha de quatro filhos: Virginia, Romana, Catarina e Cosme, este último era padre e com sua chegada ao Brasil, começou na sua nova terra escolhida, o antigo “Engenho Morgado”, parte de terras que pertencia a Duarte Gomes da Silveira (um administrador colonial e rico senhor de engenho, conhecido como “Marquês da Copaoba”), as celebrações e novenas em honra à Nossa Senhora da Luz que reunia toda sua família, principalmente seu Pai, a quem fizera uma promessa ao sair de Portugal, tinham grande devoção.

A singela capela, inicialmente de taipa, dedicada à Nossa Senhora da Luz, viu o desenvolvimento de suas terras. E em 27 de abril de 1837, tendo sido Guarabira elevada à condição de Vila, o então Arcebispo de Olinda, Dom João da Purificação Marques Perdigão (cujo território fazia parte até o dia 27 de abril de 1892, quando o Papa Leão XIII  criou a Diocese da Paraíba), instalou a PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA LUZ.

No ano de 2010, a Diocese de Guarabira celebrou o Ano Jubilar dos 250 anos das festividades religiosas em honra a padroeira de Guarabira, Nossa Senhora da Luz.

Em 1980, o Papa João Paulo II, com a edição da Bula Papal “ Cum Exoptaret”, criou a Diocese de Guarabira, sendo a Paróquia Nossa Senhora da Luz elevada à dignidade de Igreja Catedral Diocesana e Nossa Senhora da Luz, sua padroeira.

 

NOSSA SENHORA DA LUZ

O título mariano de Nossa Senhora da Luz era tradicionalmente invocada pelos cegos (como afirma o Padre Antônio Vieira no seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus: “Perguntai aos cegos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Luz […]”), e tornou-se particularmente cultuada em Portugal a partir do início do século XV; segundo a tradição, deve-se a um português, Pedro Martins, muito devoto de Nossa Senhora, que descobriu uma imagem da Mãe de Deus por entre uma estranha luz, no sítio de Carnide, no termo de Lisboa. Aí se fundou de imediato um convento e igreja a ela dedicada, que conheceu grande incremento devido à ação da realeza portuguesa.

 

 

 

FESTA DA LUZ – A MAIOR ‘FESTA DE RUA’ DEDICADO À PADROEIRO NA PARAÍBA

Paralela à parte religiosa, a ‘festa de rua’ da padroeira de Guarabira, registrada pelo professor e historiador Cleodon Coelho em sua célebre obra “Guarabira através dos tempos”, como sendo realizada desde o início dos anos de 1900, antes promovida pela própria Igreja Católica e, tomando maiores proporções ao longo dos anos, passou a ser promovida pela Prefeitura da cidade. Atualmente, a festa é considerada a “maior festa de padroeiro da Paraíba”, recebe todos os anos um público de cerca de 60 mil pessoas. É o principal evento turístico-cultural voltado ao segmento na cidade, todos os anos a festa eleva a economia local em diverso segmentos, principalmente no setor hoteleiro, contando com a presença de grandes destaques da música nacional.

Muito tradicional na cultura nordestina, as festas de padroeiros (ou “festas de rua”, como é conhecido em alguns locais), são realizadas pelas cidades brasileiras, principalmente no interior do Nordeste, nas datas em que são celebrados novenas e missas em honra ao (a) o (a) padroeiro (a) da cidade, costume herdado dos colonizadores portugueses.

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